Mais de 20% das empresas paranaenses são “fantasmas”, revela pesquisa

Uma pesquisa feita pela organização Endeavor, de apoio ao empreendedorismo, ouviu empreendedores, burocratas e especialistas e mapeou as principais dificuldades enfrentadas na abertura e fechamento de empresas no Brasil.

O estudo revelou que existem 3,7 milhões de CNPJs “zumbis”. São CNPJs ativos na Receita Federal, porém sem atividade efetiva, que representam quase 20% do total, e que podem ser um indicativo da dificuldade enfrentada para se fechar uma empresa. A pesquisa aponta que, embora o fechamento pareça simples, por envolver poucos processos, pode se tornar um pesadelo para negócios com problemas de saúde tributária, algo que é comum no Brasil. Dos 1,3 milhão de CNPJs existentes no Paraná, mais de 360 mil são “Zumbis”.

De acordo com outros dados levantados, do total de empresas paranaenses analisadas, mais de 84% operam com alguma falta de regularidade.

Dentre os escritórios brasileiros de advocacia e contabilidade, que são os que deveriam conseguir lidar melhor com a burocracia, essa taxa é de 80% e 88%, respectivamente. O dado assusta, mas parece fazer sentido quando se analisam números como o de atualizações tributárias, que podem chegar a 558 em 4 anos, no caso do ICMS – ou seja, cerca de 1 atualização a cada 3 dias.

Além da mudança constante na legislação dos impostos, as empresas precisam cumprir uma série de obrigações acessórias para comprovar ao Fisco que o pagamento e as exigências legais estão sendo feitos da forma correta. Para cumprir as obrigações acessórias municipais, que são relacionadas ao ISS, uma empresa optante pelo Simples Nacional precisa preencher, na média, 24 fichas de informações complementares para fiscalização. No caso das estaduais, que dizem respeito ao ICMS, são necessárias, em média, outras 24 fichas. Qualquer deslize no cumprimento das obrigações pode gerar multas e irregularidades para os empreendedores. No que diz respeito ao índice de empresas com irregularidades na Prefeitura, Curitiba é um dos destaques deste ano: a capital teve 7,39% de melhoria nesse indicador, em comparação ao ano passado e, ficou a frente de São Paulo, que segue com 7,27% das empresas irregulares com a prefeitura.

As amarras da burocracia impactam não apenas as empresas, mas a produtividade geral do país. Estudos acadêmicos revisitados ao longo da pesquisa mostram que países como o Brasil, que apresentam muitas dificuldades regulatórias para o ciclo de “destruição criativa”, acabam concentrando muitas empresas pequenas, antigas e pouco produtivas. O resultado é a menor produtividade média na maioria dos setores e a menor geração de renda por trabalhador. Os acadêmicos estimam ainda que se os procedimentos e atrasos fossem reduzidos à metade no Brasil, o crescimento da renda per capita no longo prazo seria de 25%.

Fazendo um diagnóstico da burocracia junto a empresários, burocratas e especialistas (contadores e advogados), por mais que, muitas vezes, eles pareçam estar em lados opostos “da mesa”, os atores-chave concordaram em quase tudo no que diz respeito aos gargalos e principais melhorias.

“Os empreendedores frequentemente apontam a complexidade fiscal e tributária como um dos principais desafios para gerirem seus negócios, pois apesar de tomar energia e tempo, a desinformação pode causar dificuldades para acessar linhas de crédito, inovação ou investimento”, comenta Marco Mazzonetto, líder da Endeavor no Paraná. “Saber que esses três públicos estão na mesma página, e entendem a necessidade da simplificação, é o primeiro passo para termos iniciativas que tornem a vida do empreendedor menos complexa., completa.

Conheça algumas das ações sugeridas pelos entrevistados:

  • Padronizar e melhorar o fluxo de informações e de comunicação sobre quais os processos e os dados necessários em cada etapa que o empreendedor precisa percorrer;
  • Mapear e redesenhar processos e fluxos com vistas a racionalizar procedimentos, tornando o processo mais célere;
  • Priorizar a confiança na autodeclaração do empreendedor;
  • Melhorar as condições físicas (equipamentos, mobiliário, etc) nos órgãos públicos para aumentar a produtividade dos servidores;
  • Treinar e qualificar os servidores e melhorar a alocação de talentos para tratamento com o  público;
  • Aplicar nos órgãos e secretarias sistemas e softwares integrados e com capacidade de processamento de grande volume de informações;
  • Instituir o cadastro fiscal único da pessoa jurídica;
  • Compilar, analisar e revogar as regras tributárias contraditórias;
  • Simplificar e automatizar as cobranças tributárias, valendo-se de Guia Única.

Fonte: JORNAL CONTÁBIL

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