Os recados de Janot nas denúncias da Lava Jato

Frases do líder e pacifista indiano Mahatma Gandhi, do dramaturgo austríaco Franz Grillparzer, da escritora russa Ayn Rand, do poeta e jornalista Millôr Fernandes, do advogado e poeta Gregório de Matos são algumas das escolhidas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para abrir as denúncias apresentadas ao Supremo Tribunal Federal contra políticos na Operação Lava Jato.

A prática, que divide opiniões inclusive entre sua equipe, foi adotada desde a primeira acusação entregue ao STF na Lava Jato, em agosto de 2015. Após travar uma série de embates com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Janot acusou o peemedebista de corrupção e lavagem de dinheiro por suposta participação no esquema de corrupção na Petrobras. Na peça, o chefe do Ministério Público usou declaração de Gandhi para afirmar que “tiranos sempre caem”.

“Quando eu me desespero, eu me lembro que, durante toda a história, os caminhos da verdade e do amor sempre ganharam. Têm existido tiranos e assassinos e, por um tempo, eles parecem invencíveis, mas no final sempre caem. Pense nisto: sempre”, escreveu.

Em uma segunda denúncia apresentada contra Cunha, Janot ainda faz uma provocação ao ex-deputado, que atualmente está preso e já foi condenado na Lava Jato, citando seu bordão o povo merece respeito, que repetia ao fim de cada comentário seu na rádio evangélica Melodia FM.

Nas acusações contra o presidente Michel Temer e também contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Janot, no entanto, não fez introduções.

Leia algumas das mensagens nas epígrafes da Lava Jato:

A comunidade política conduz, comanda, supervisiona os negócios, como negócios privados seus, na origem, como negócios públicos depois, em linhas gerais que se demarcam gradualmente. O súdito, a sociedade, se compreendem no âmbito de um aparelho a explorar, a manipular, a tosquiar nos casos extremos. Dessa realidade se projeta, em florescimento natural, a forma de poder, institucionalizada num tipo de domínio: o patrimonialismo, cuja legitimidade se assenta no tradicionalismo – assim porque sempre foi.”

Os donos do poder: a formação do patronato político brasileiro, Raymundo Faoro

Organização criminosa do PMDB do Senado

“O povo merece respeito

Bordão utilizado por Eduardo Cunha em seu programa de rádio

Denúncia contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por propina e contas no exterior

 

Existe um remédio para todos os tipos de culpa: reconhecê-las.”

Franz Grillparzer

Denúncia contra senadora e presidente PT Gleisi Hoffmann (PT) e Paulo Bernardo na Lava Jato

“Passa-moleque

substantivo masculino

Bras. Engano, logro; perfídia

Toda farsa tem dois gumes

Millôr Fernandes

As duas foram usadas na denúncia contra o ex-líder do PP na Câmara Eduardo da Fonte (PP-PE)

O todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte, mas se a parte o faz todo, sendo parte, não se diga, que é parte, sendo todo.

Gregário de Matos

Denúncia contra peemedebistas por esquema na Transpetro

O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que me preocupa é o silêncio dos bons

Martin Luther king Jr

Denúncia contra o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL)

Quando perceberes que, para poderes produzir, tens que obter autorização dos que não produzem nada; Quando reparares que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; Quando reparares que os homens ficam ricos pelo suborno e por influência, e não pelo próprio trabalho, e que as leis não te protegem deles, antes os protegem a eles de ti; Quando observares a corrupção a ser recompensada e a honestidade a converter-se em auto sacrifício; então poderás constatar que a tua sociedade está condenada.”

Ayn Rand, escritora russa

Denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) a partir da delação da JBS

O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.”

Millôr Fernandes

Denúncia contra o deputado José Mentor (PT-SP)

 

FONTE: Jota

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